Turma de Brasília quer assumir comando da CBF

A cadeira de presidente da Confederação Brasileira de Futebol (CBF) é considerada uma posição de risco. Historicamente, o cargo já derrubou dirigentes, resultou em banimentos e levou ocupantes para a polícia ou ao ostracismo. O padrão se repete: quem ocupa o posto acaba sendo alvo de críticas públicas.
O caso mais recente foi o de Ednaldo Rodrigues. Ele caiu em maio de 2025, após parecer estabilizado no cargo, inclusive com liminares que o salvaram de uma primeira cassação.
Em seu lugar, assumiu Samir Xaud, vindo da federação de Roraima. Com pouco mais de um ano de mandato, Xaud enfrenta denúncias de gastos inexplicáveis e, após a eliminação do Brasil para a Noruega na Copa do Mundo de 2026, viu sua situação se complicar.
O grupo que articula a queda de Xaud é conhecido como "Turma de Brasília". Diferente das oligarquias do futebol carioca ou paulista, esse grupo tem origem jurídica e política na capital federal. O líder é o advogado Francisco Schertel Mendes, o Chico Mendes, diretor-geral do IDP e filho do ministro do STF, Gilmar Mendes.
Chico Mendes não tem cargo formal na diretoria da CBF, mas controla as finanças e a estratégia da entidade. Por meio de um contrato entre o IDP e a CBF Academy, onde o instituto fica com 84% da receita, o grupo indicou o diretor financeiro (Valdecir de Souza), o diretor jurídico (André Mattos) e Gustavo Dias Henrique, considerado o homem-forte da transição.
O isolamento de Samir Xaud ficou evidente após o fracasso do Brasil no Mundial. Enquanto o presidente balança, o ministro Gilmar Mendes usou as redes sociais para apoiar a permanência do técnico Carlo Ancelotti e blindar o atacante Neymar para o ciclo de 2030. O movimento indica quem dita as regras, independentemente de quem ocupa a presidência.
Nos bastidores, a avaliação é de que Samir Xaud está com os dias contados. O plano da Turma de Brasília é colocar Chico Mendes na linha de frente do futebol brasileiro. Ele reconhece os riscos do cargo, mas o poder e os recursos financeiros da CBF são vistos como atrativos.