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Defesa de Lulinha critica novo inquérito e fala em 'pescaria probatória

Por GDS Notícias · · 3 min de leitura
Defesa de Lulinha critica novo inquérito e fala em 'pescaria probatória
Foto: Divulgação

A defesa de Fábio Luís Lula da Silva, o Lulinha, filho do presidente Lula (PT), questionou nesta quinta-feira (30) a abertura de um inquérito autorizada pelo ministro André Mendonça, do Supremo Tribunal Federal (STF). Para o advogado criminal Guilherme Suguimori Santos, a investigação teria interesse político e configuraria uma “pescaria probatória”.

A medida foi tomada após pedido da Polícia Federal na última sexta-feira (24). Os investigadores querem apurar crimes de corrupção e tráfico de influência na autorização da comercialização de cannabis medicinal, com ligações no Ministério da Saúde e no gabinete da Presidência.

Em nota, o advogado de Lulinha afirmou que “se queriam achar algo e não acharam, não podem criar uma nova teoria para começar tudo de novo, esticando essa história até as eleições”. Ele também declarou que “tentam achar ‘x’, como não acham, tentam ‘y’, e se não acharem vão inventar ‘z’”. Para ele, investigação não é exercício de tentativa e erro, e a movimentação seria ilegal.

Lulinha atua no ramo de cannabis medicinal em parceria com a empresária Roberta Luchsinger e com o lobista Antonio Carlos Camilo Antunes, o Careca do INSS. O pedido de abertura de inquérito também cita contatos entre os alvos e servidores, incluindo do gabinete de Lula. Uma das linhas investigadas é a atuação de Lulinha com Roberta no mercado de canabidiol em favor da empresa World Cannabis, ligada a Careca.

A defesa do filho do presidente disse que não pode comentar o caso por não ter acesso aos autos. “Não vi essa notícia nos autos, não vi documentos, não vi fundamentos”, afirmou Suguimori Santos. Ele acrescentou que é preciso entender a justificativa para o caso ser de competência do STF. Para ele, uma nova investigação alheia à Operação Sem Desconto mostraria que os investigadores falharam em achar uma ligação entre Fábio Luís e as fraudes do INSS. “Não seria surpresa, porque Fábio nunca teve relação nenhuma com esse escândalo”, declarou.

O advogado Bruno Salles, que defende Roberta, afirmou não ter informações sobre a instauração do novo inquérito. Ele disse que os fatos relatados já são objeto de investigações em andamento e que não haveria razão para um novo procedimento. “Em todos os meus anos de carreira, essa seria a primeira vez que eu veria uma investigação em melhor de três”, disse. Para ele, não faz sentido reabrir uma investigação envolvendo o filho do presidente às vésperas de um processo eleitoral, a não ser para explorar o caso politicamente.

A defesa de Antonio Carlos Camilo afirmou não ter conhecimento sobre o tema ou sobre o pedido. O Careca do INSS está preso desde setembro de 2025. Em depoimento à CPI do INSS no ano passado, ele disse ser um empresário cuja prosperidade é “fruto de trabalho honesto e dedicado” e que não possui “patrimônio oriundo de roubo ou de qualquer prática ilícita”.

Os investigadores da PF querem autorização para compartilhar provas colhidas na Operação Sem Desconto, que mira uma quadrilha responsável por desvios no INSS e tem Careca como um dos alvos. O pedido foi remetido ao STF durante o recesso do Judiciário. O caso foi analisado por Alexandre de Moraes, que pedia um parecer da Procuradoria-Geral da República (PGR).

O órgão afirmou que as quebras de sigilo apresentadas revelaram “a prática de crime” sem relação com a Operação Sem Desconto e opinou pelo sorteio de um novo relator. O sorteado foi André Mendonça.

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