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Cofundador da Fatal admite: patrocínio ao Corinthians visa naturalizar pornografia

Por GDS Notícias · · 3 min de leitura
Cofundador da Fatal admite: patrocínio ao Corinthians visa naturalizar pornografia
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O cofundador e diretor de negócios da Atlas Technologies, Samuel Ongaratto, afirmou que o objetivo do patrocínio da plataforma de conteúdo adulto Fatal Fans ao Corinthians é naturalizar a presença desse tipo de serviço no cotidiano dos brasileiros. A empresa passou a estampar sua marca no uniforme do clube paulista.

“Quando você coloca a marca de um site adulto em um lugar de prestígio, ao lado de marcas que têm confiabilidade, essa confiabilidade passa para ela por osmose”, disse Ongaratto em entrevista. Segundo ele, o investimento no clube não se justifica por um cálculo de retorno financeiro direto.

A Fatal Fans é uma plataforma de assinatura de conteúdo adulto, com fotos e vídeos eróticos ou pornográficos, em modelo semelhante ao OnlyFans. A empresa retém 15% do valor de cada transação e afirma ter cerca de 30 mil criadores de conteúdo, com 7 milhões de visitas mensais. Já a Fatal Models, que reúne perfis de acompanhantes e patrocinou o Vitória, registra 30 milhões de acessos por mês e deve faturar R$ 180 milhões em 2026.

O contrato de R$ 22 milhões entre o Corinthians e a Fatal Fans, válido até 2027, foi firmado em meio à crise financeira do clube, que tem dívida estimada entre R$ 2,4 bilhões e R$ 2,7 bilhões. O acordo gerou polêmica nacional sobre os limites da publicidade no esporte e a proteção de crianças e adolescentes.

Ongaratto disse que a estratégia busca dar credibilidade à marca e que pessoas que tinham receio de acessar o site podem se sentir mais seguras. Por outro lado, a exposição da marca em um dos maiores clubes do país preocupa entidades e parlamentares, que protocolarem representações no Ministério Público de São Paulo e projetos de lei para proibir esse tipo de publicidade em espaços públicos e eventos esportivos. As propostas são das deputadas Maria Helou (PSOL), Sâmia Bonfim (PSOL-SP) e Tábata Amaral (PSD-SP).

O empresário defendeu o patrocínio e disse que a propaganda não é direcionada a crianças nem tem conotação de objetificação. Ele também afirmou que a Fatal Models implantou um sistema de verificação de idade, mas que ele foi suspenso temporariamente porque a fiscalização da Agência Nacional de Proteção de Dados (ANPD) só começaria em janeiro do próximo ano. A empresa alega que ficou em desvantagem no mercado por operar sozinha com a ferramenta.

O Corinthians informou, em nota, que se certificou de que a Fatal Fans opera de acordo com o ECA Digital e que o conteúdo só pode ser acessado por maiores de idade mediante assinatura com verificação de CPF. O clube disse ainda que não haverá publicidade com conotação erótica ou convites para o site.

Ongaratto reconheceu que a repercussão do caso pode gerar curiosidade e efeitos comerciais. Sobre o consumo compulsivo de pornografia, ele afirmou que a empresa ainda não desenvolveu políticas específicas para usuários com comportamento problemático e que o tema carece de debate interno. A companhia também não financia pesquisas sobre os impactos do consumo excessivo desse tipo de conteúdo.

O executivo disse que a empresa busca reduzir o estigma em torno de profissionais do sexo e criadores de conteúdo adulto. Ele afirmou que respeitaria a decisão de suas filhas se elas escolhessem seguir nessa área. “Eu respeitaria a decisão delas e daria as melhores recomendações possíveis para que elas possam estar nessa profissão da maneira mais segura possível, com sucesso”, afirmou.

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