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Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinam pacto militar

Por GDS Notícias · · 3 min de leitura
Arábia Saudita, Turquia e Paquistão assinam pacto militar
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A Arábia Saudita, o Paquistão e a Turquia assinaram nesta sexta-feira (7) um pacto de defesa mútua que pode mudar o equilíbrio de forças no Oriente Médio e no Sul da Ásia. A aliança acontece em um momento de escalada regional, com o Irã atacando aliados dos Estados Unidos na região com drones e mísseis balísticos, em resposta à ofensiva liderada por americanos e israelenses. Os sauditas também lidam com a ameaça de grupos islamitas no Iraque e dos rebeldes houthis do Iêmen, ambos apoiados por Teerã.

Na quinta-feira (6), dezenas de soldados da coalizão que apoia o governo deposto do Iêmen em 2014, financiada por Riad, morreram em um ataque houthi. Os sauditas afirmam que a Guarda Revolucionária do Irã coordena esses ataques, quebrando o acordo de paz mediado pela China em 2023.

Os detalhes do acordo tríplice ainda são limitados, mas o simbolismo é grande em uma região marcada por conflitos desde o ataque do Hamas a Israel em 2023. O documento foi assinado em Meca, cidade sagrada do islamismo, unindo três nações muçulmanas de maioria sunita. O Irã, que segue o xiismo, fica de fora dessa aliança.

O primeiro-ministro paquistanês, Shehbaz Sharif, e o chefe do Exército, Asim Munir, estiveram em Meca antes da chegada do presidente turco, Recep Tayyip Erdogan. Eles foram recebidos pelo príncipe herdeiro saudita, Mohammed bin Salman.

Em termos militares, o acordo junta o sétimo maior orçamento de defesa do mundo, da Arábia Saudita, ao Paquistão, que possui cerca de 170 ogivas nucleares, e à Turquia, que tem 355 mil soldados, o segundo maior contingente da Otan, atrás apenas dos EUA.

No ano passado, sauditas e paquistaneses já tinham assinado um pacto de defesa mútua, o que, na prática, tornava o reino uma potência nuclear na região, onde só Israel tem a bomba, com cerca de 90 ogivas não assumidas. Com o novo acordo, Islamabad enviou 8.000 soldados e um esquadrão de caças para a Arábia Saudita. Até agora, o Paquistão não retaliou diretamente contra o Irã pelos ataques pontuais ao território saudita, mas atua como mediador na crise.

Os três países já mantinham laços na área de defesa. O Paquistão, que travou quatro guerras com a Índia desde a independência em 1947, presta assistência aos sauditas há décadas e compra equipamento militar turco. Ainda não está claro se o acordo anunciado nesta sexta inclui explicitamente o componente nuclear.

O anúncio representa um revés para Donald Trump, que pressionava Riad a aceitar um acordo de paz com Israel nos moldes dos Acordos de Abraão, firmados em seu primeiro mandato e que atraíram Emirados Árabes Unidos, Bahrein, Marrocos e Sudão. No mês passado, Trump anunciou um pacto de transferência de tecnologia nuclear civil para os sauditas, mas condicionou o acordo à normalização das relações entre o reino e Israel. Turquia e Paquistão são adversários declarados de Israel, o que afasta a aliança do caminho desejado por Trump.

O Paquistão já tinha se distanciado de Washington após a “guerra ao terror” e se aproximado da China. A Turquia, por sua vez, mantém uma relação turbulenta com Trump, embora esteja em processo de reaproximação.

Para Erdogan, o pacto é uma vitória política. Em 2024, ele apoiou o Azerbaijão na vitória sobre a Armênia em Nagorno-Karabakh e foi peça-chave na queda do governo de Bashar al-Assad na Síria. A instalação de um governo liderado por radicais islâmicos na Síria preocupou Israel, que reafirmou sua posição de potência militar dominante na região após os conflitos iniciados com o ataque do Hamas em 7 de outubro de 2023.

Israel ocupa uma faixa do território sírio em parceria com a minoria druza, o que confronta os interesses da Turquia. A Rússia, que apoiava Assad, perdeu capacidade de intervenção por causa do foco na Guerra da Ucrânia. No Cáucaso, Vladimir Putin viu sua influência na Armênia diminuir após a derrota militar para o Azerbaijão e o acordo de paz mediado por Trump.

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