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Dólar sobe, Wall Street bate recorde e alerta: risco é ficar 100% Brasil

Por GDS Notícias · · 2 min de leitura

O dólar subiu e Wall Street renovou recordes, mas gestores apontam que o maior risco para o investidor brasileiro é manter todo o patrimônio aplicado no Brasil. A avaliação é que a economia dos Estados Unidos é maior e mais forte que a brasileira, com perspectivas futuras mais atraentes.

Para Luciano Boudjoukian França, sócio-fundador e gestor da Paramis Avantgarde Asset, a preocupação do investidor não deve ser acertar o câmbio para entrar no mercado internacional. Ele classifica a alocação global como estratégica, e não como uma aposta cambial. Com o dólar perto de R$ 5,20, França sugere uma entrada parcelada para quem tem pouca exposição global. "O risco maior é ficar 100% dependente de Brasil, real e juros locais", afirma.

Os investimentos podem ser feitos por meio de ETFs na B3, como o IVVB11 e o NASD11, que acompanham os índices S&P 500 e Nasdaq-100. O Nasdaq já entrega quase 10% em real neste ano. França alerta que o Nasdaq não substitui uma carteira global, sendo uma aposta mais concentrada em tecnologia e crescimento.

Ian Caó, diretor de Investimentos da Gama Investimentos, destaca que as empresas de tecnologia e semicondutores puxam o crescimento dos EUA. Ele cita o Philadelphia Semiconductor Index, que sobe mais de 70% no ano. Com inflação pressionada e juros entre 3,50% e 3,75% nos EUA, Caó afirma que é difícil apontar picos de mercado.

Guilherme Zanin, analista CFA e professor na Eu Me Banco, diz que o maior risco é achar normal ter mais de 90% do patrimônio em Brasil. Ele cita um estudo da XP Investimentos mostrando que, em dez anos, quem manteve tudo no Brasil teve menor retorno e maior volatilidade.

Rodolfo Marinho, da IP Capital, vê oportunidades em outros setores além das grandes empresas de tecnologia. Ele afirma que o mercado americano está funcionando de forma monotemática, com dinheiro novo indo para semicondutores, energia e data centers. Marinho diz que empresas como Mastercard caíram 15% no ano, mesmo com lucro subindo 15%, criando distorções.

Para quem faz seleção de ações, 2026 oferece uma janela atípica, pois o resultado operacional tende a puxar os preços de volta. Além dos EUA, Europa e China também podem oferecer oportunidades. Luciano França vê a Europa como alternativa para diversificação em setores como bancos, indústria e energia. Maurício Garret, do Inter, vê oportunidades na China na área de infraestrutura e energia.

O investidor deve acompanhar a inflação americana, que bateu 4,2% em maio, e a resposta do Fed. O juro de dez anos dos EUA e o prêmio fiscal do país também são variáveis importantes. As empresas de tecnologia são sensíveis à curva de juros longos. O rali só se sustenta se as revisões de lucros continuarem positivas.

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