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Adeus de Neymar: legado individual ou coletivo na Seleção?

Por GDS Notícias · · 3 min de leitura

O choro de Neymar ao ser consolado por familiares após a eliminação do Brasil na Copa do Mundo, junto com a declaração do atleta de que "agora acabou", indica que seu ciclo na seleção brasileira chegou ao fim. "Tentei, tentei. Agora acabou. Comecei aqui, fechei aqui", disse Neymar à GE TV na saída do campo, sem oficializar a aposentadoria posteriormente.

Antes mesmo de chegar aos Estados Unidos, Neymar já tratava este Mundial como sua "última dança". A história começou no mesmo estádio MetLife, em Nova Jersey, há 16 anos, em 10 de agosto de 2010, em amistoso contra os EUA, e terminou no domingo, na derrota por 2 a 1 para a Noruega, com um gol dele no fim da partida.

O discurso de Neymar no vestiário brasileiro após a derrota foi visto como outro forte indício de que o camisa 10 está convicto da aposentadoria na seleção. Ele chorou, agradeceu pelo período de convivência durante a Copa e se despediu dos companheiros. "Neymar é meu ídolo. Sempre quis jogar com ele. Foi um momento marcante estarmos juntos na seleção", disse Vini Jr. após a eliminação.

Considerado injustiçado por não ter sido convocado para a Copa de 2010, quando tinha 18 anos e brilhava no Santos, Neymar sempre foi sinônimo de esperança para os torcedores. Desde a estreia com Mano Menezes até a última partida, ele carregou a expectativa de levar o Brasil de volta às grandes conquistas, objetivo que não foi concluído em termos concretos. Ele foi o expoente de sua geração e manteve a herança do "jogo bonito".

Os números jogam a favor do atacante. Com 80 gols em 130 partidas, Neymar deixou Pelé para trás (77 gols) e se tornou o maior artilheiro da história da seleção brasileira. Deu também 58 assistências, gerando uma média superior a uma participação em gol por jogo.

Mas o topo da artilharia abre espaço para debate. Dos 80 gols, mais da metade (46) foi anotada em amistosos. Em grandes torneios, foram 18. Em jogos de mata-mata, cinco bolas na rede: contra Espanha, na Copa das Confederações de 2013; e, em Copas do Mundo, contra México (2018), Coreia do Sul e Croácia (2022) e Noruega (2026). Ronaldo, que marcou 62 gols pelo Brasil, anotou 23 deles em amistosos, uma proporção de 37% contra 57% de Neymar.

Em termos de título, Neymar conquistou a Copa das Confederações de 2013 e a medalha de ouro nos Jogos Olímpicos de 2016. Ele não participou da Copa América de 2019 por lesão. Ronaldo tem como diferencial o penta, em 2002, como protagonista, o tetra de 1994, como reserva, e a artilharia do Brasil em Mundiais, com 15 gols. Pelé é o jogador com mais Copas na história, com os títulos de 1958, 1962 e 1970.

Se na seleção a história de Neymar parece ter tido um ponto final, no Santos, o ponto é de interrogação. Campeão da Libertadores, da Copa do Brasil e de diversos estaduais na primeira passagem, o atacante não conseguiu grandes êxitos desde que retornou ao futebol brasileiro, no ano passado. O clube deseja a permanência do craque, que tem contrato até dezembro.

Havia a expectativa de uma maior participação de Neymar no Mundial para que depois as partes conversassem sobre os planos para a carreira. Com a eliminação precoce, a diretoria aguarda uma sinalização do estafe do atleta. A questão passa pelo planejamento pessoal de Neymar, que já negociou com clubes dos EUA, movimento semelhante ao do volante Casemiro, que acertou com o Inter Miami de Lionel Messi.

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