01/06/2026
GDS Notícias»Notícias»Dólar cai a R$ 5,02 com alta do petróleo, apesar de risco geopolítico

Dólar cai a R$ 5,02 com alta do petróleo, apesar de risco geopolítico

Dólar cai a R$ 5,02 com alta do petróleo, apesar de risco geopolítico

O real avançou no primeiro pregão de junho, amparado pela valorização do petróleo, apesar do fortalecimento global do dólar com o aumento das tensões no Oriente Médio. O dólar à vista fechou em baixa de 0,40%, a R$ 5,0227, com mínima de R$ 5,0122. A moeda norte-americana havia subido 1,82% em maio e acumula perda de 8,50% no ano.

O dia foi marcado por maior percepção de risco geopolítico. O Irã anunciou a suspensão de conversas com os Estados Unidos em protesto aos ataques de Israel a bases do Hezbollah no Líbano. Autoridades iranianas emitiram alerta para que moradores do norte de Israel e de assentamentos militares deixassem a região.

A escalada retórica de Teerã levou a uma alta dos preços do petróleo pela manhã. As cotações se afastaram das máximas à tarde após declarações de Donald Trump. Em postagem na Truth Social, o presidente dos EUA disse que conversou com o primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e com o Hezbollah. “Israel não os atacará e eles não atacarão Israel”, escreveu Trump. O contrato do Brent para agosto encerrou a US$ 94,98 o barril, alta de 4,24%, após tocar US$ 97.

O head de banking da EQI Investimentos, Alexandre Viotto, afirmou que há dois vetores na formação da taxa de câmbio com o recrudescimento das tensões. “De um lado, há aumento da aversão ao risco e da volatilidade, o que é ruim para divisas emergentes. Mas, de outro, há uma alta do petróleo, o que é bom para a gente”, disse.

Pela manhã e no início da tarde, o real se desgarrava da tendência negativa para divisas emergentes por causa da alta do petróleo, mas exibia fôlego curto. A combinação de diminuição da aversão ao risco com as declarações de Trump e a commodity em terreno positivo levou o dólar às mínimas na segunda etapa do pregão.

A economista-chefe do Ouribank, Cristiane Quartaroli, afirmou que a notícia de suspensão das negociações entre Irã e EUA deixou investidores mais cautelosos. “Mas o real se apreciou, destoando de outras moedas emergentes, porque o Brasil é exportador líquido de petróleo”, disse. Ela acrescentou que a piora das projeções de inflação no Boletim Focus aumenta a expectativa de juros elevados no Brasil, o que atrai capital externo.

O grande destaque do dia foi o peso colombiano, que avançou mais de 2,5% frente ao dólar com o resultado do primeiro turno das eleições presidenciais. A economista-chefe de mercados emergentes da VanEck, Natalia Gurushina, afirmou que o peso colombiano subiu após o desempenho forte do candidato de direita Abelardo de la Espriella, que se tornou favorito para o segundo turno.

O índice DXY, que mede o dólar ante uma cesta de seis moedas fortes, operou em alta moderada e rondava os 99,200 pontos no fim da tarde. O Dollar Index avança quase 1% no ano. As taxas dos Treasuries subiram com preocupações inflacionárias provocadas pela alta do petróleo. A semana tem divulgação de dados do mercado de trabalho nos EUA, com destaque para o payroll de maio na sexta-feira.

Para Viotto, a perspectiva de petróleo acima de US$ 90 com o impasse no Oriente Médio estimula apostas de aumento de juros nos EUA, o que abala o apetite por divisas emergentes. O real é protegido pela melhora dos termos de troca e pela taxa de juros local elevada. “A tendência é de um dólar mais perto de R$ 5,00, mas que pode buscar os R$ 5,20”, afirmou.

O Ibovespa caiu pelo quinto pregão consecutivo. O índice da B3 fechou em baixa de 0,91%, a 172.197,46 pontos, o menor patamar desde 21 de janeiro. O giro financeiro foi de R$ 28,4 bilhões. No ano, o índice limita alta a 6,87%.

A economista da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, destacou que o contexto global permanece incerto, o que se reflete na curva de juros, no câmbio e na Bolsa. Ela acrescentou que a classificação de facções criminosas brasileiras como organizações terroristas pelos EUA traz preocupação quanto à relação bilateral.

Em Nova York, os principais índices de ações seguem nas máximas históricas. O Dow Jones fechou em alta de 0,09%, o S&P 500 subiu 0,26% e o Nasdaq avançou 0,42%. As ações de empresas de software registraram ganhos após o CEO da Nvidia afirmar que os agentes de inteligência artificial têm potencial de impulsionar o setor.

Na B3, as ações da Petrobras subiram (ON +1,31%, PN +0,88%) acompanhando a escalada do petróleo. As demais ações de primeira linha caíram, como Vale (ON -1,35%) e Itaú (PN -1,65%). Na ponta ganhadora, Totvs (+4,32%), Brava (+2,57%) e Cosan (+2,11%). No lado oposto, Minerva (-5,15%), RD Saúde (-4,44%) e Suzano (-3,01%).

No cenário geopolítico, o Quartel-General Central Khatam al-Anbiya, ligado à Guarda Revolucionária Islâmica do Irã, alertou moradores do norte de Israel a deixarem a região caso o governo israelense amplie operações no Líbano. Netanyahu disse que informou a Trump que Israel atacaria alvos do Hezbollah em Beirute se os ataques a cidades israelenses continuarem.

Os juros futuros subiram na sessão. A taxa do DI para janeiro de 2027 subiu de 14,083% para 14,205%. O DI para janeiro de 2029 saltou a máxima de 14,06%, vindo de 13,841%. O DI para janeiro de 2031 avançou de 13,884% para máxima de 14,04%.

O Focus mostrou nova deterioração das estimativas do mercado para a inflação. A mediana para o IPCA de 2026 passou de 5,04% para 5,09%. Para 2027, foi de 4,01% para 4,02%. Para 2028, de 3,65% para 3,66%.

Sobre o autor: contato@gdsnoticias.com

Equipe que trabalha em conjunto na redação e revisão de conteúdos com atenção à qualidade editorial.

Ver todos os posts →