terça-feira, 06 de janeiro de 2026
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Venezuelana no RS celebra prisão de Maduro com alegria

EM 4 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 16:13

A prisão do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, durante uma ação dos Estados Unidos, gera reações entre os venezuelanos que deixaram seu país nos últimos anos e se estabeleceram no Brasil. Muitos receberam a notícia com alívio e esperança, mas também com cautela devido à situação ainda instável na Venezuela.

Sthefania Castillo, de 30 anos, é uma delas. Formada em Jornalismo pela Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), ela vive no Brasil desde 2016, acompanhada da irmã e do cunhado. Para Sthefania, a captura de Maduro representa um marco após anos de frustrações políticas. “Recebemos a notícia com muita alegria. A maioria dos venezuelanos que ainda estão lá também gostaria de comemorar, mas não podem sair às ruas por medo”, conta.

Sthefania explica que, a cada eleição, havia a expectativa de uma mudança política, mas as esperanças sempre foram frustradas. Ela acredita que o alívio diante da captura de Maduro é compreensível. “Esperávamos por isso há muitos anos. Cada eleição nos dava a esperança de que algo diferente aconteceria, mas ele e seu governo continuavam no poder”, relata.

Apesar da prisão, Sthefania ressalta que o regime não acabou. “A ditadura ainda persiste com os mesmos líderes envolvidos em práticas corruptas. Muitos ainda ocupam cargos de poder e não querem abrir mão deles. Não sabemos o que acontecerá a seguir, mas a captura de Maduro nos dá uma esperança de um futuro diferente”, afirma.

Ela também comenta sobre os relatos que chegam da Venezuela. Sua tia, que mora em Caracas, falou sobre explosões e disparos no dia da operação. Em contrapartida, sua mãe, que vive no interior, descreveu um cenário relativamente calmo. No entanto, Sthefania observa um aumento no estoque de alimentos pelas pessoas, sinalizando que, mesmo em aparente tranquilidade, ainda há temor por parte da população. “Há uma paz disfarçada no país, pois as pessoas temem se manifestar, sabendo que isso pode resultar em prisão”, explica.

Quanto ao que pode acontecer no futuro e a possibilidade de os Estados Unidos assumirem a administração da Venezuela, Sthefania considera que a situação é incerta. “Estamos todos observando os desdobramentos. Existem muitas opções, desde a continuidade da ditadura até uma possível invasão dos Estados Unidos, que pode ocorrer se eles se recusarem a negociar. Ambas as alternativas são ruins para a Venezuela”, opina.

Para ela, a solução mais viável seria uma transição pacífica e negociada. “Desejamos um país livre, onde possamos escolher nossos governantes. No entanto, a realidade que enfrentamos é bem diferente do que gostaríamos”, conclui Sthefania.

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