11/05/2026
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Setor elétrico: custo extra de R$ 5,4 bi em risco é criticado

Setor elétrico: custo extra de R$ 5,4 bi em risco é criticado

Um grupo de associações, comercializadoras e representantes do setor de energia assinou um manifesto defendendo a redução no parâmetro de aversão ao risco do sistema elétrico. As entidades estimam que a manutenção do patamar atual pode gerar um custo extra de aproximadamente R$ 5,4 bilhões com o acionamento de usinas termelétricas. O assunto será debatido pelo Comitê de Monitoramento do Setor Elétrico (CMSE) nesta semana.

O documento é assinado pela Associação Brasileira de Energia Eólica (ABEEólica), Associação Brasileira dos Investidores em Autoprodução de Energia (Abiape), Associação Brasileira dos Grandes Consumidores de Energia e Consumidores Livres (Abrace Energia), Associação Brasileira de Comercializadores de Energia (Abraceel), Associação Nacional dos Consumidores de Energia (ANACE), Associação da Indústria de Cogeração de Energia (COGEN) e Frente Nacional dos Consumidores de Energia (FNCE).

O Operador Nacional do Sistema Elétrico (ONS) utiliza uma ferramenta chamada CVaR (Conditional Value-at-Risk) para analisar cenários hidrológicos de longo prazo. O objetivo é prever quedas no volume de chuvas e no nível dos reservatórios para minimizar os riscos de uma crise hídrica. Esse parâmetro define a chance de ocorrência de escassez hídrica e influencia diretamente o Preço de Liquidação das Diferenças (PLD). Quanto maior o risco, maior o preço da energia, o que leva a um maior despacho de termelétricas e ao acionamento de bandeiras tarifárias mais caras.

Até 2024, o modelo considerava uma chance de 30% de escassez hídrica, com base nos 15 piores cenários, configurando o parâmetro “15/30”. Após a atualização, o modelo passou a enxergar uma chance de 40%, ou “15/40”.

O CMSE se reúne na próxima quarta-feira, 13, para discutir os parâmetros que devem ser usados em 2027. No ano passado, o comitê decidiu manter para 2026 os mesmos parâmetros adotados em 2025.

O manifesto afirma que “estará em definição os custos que suportarão a segurança energética em 2027, mais objetivamente, o nível estimado de térmicas que serão utilizadas para complementariedade da geração hidrelétrica”. As entidades destacam que os parâmetros atuais já resultam em um custo de R$ 51,6 bilhões com geração termelétrica para garantir o sistema mesmo em cenários extremos. Segundo o texto, “a contratação ou despacho adicional que elevaria esse montante em R$ 5,4 bilhões não encontra justificativa técnica ou econômica consistente”.

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