01/02/2026
GDS Notícias»Notícias»Rio Grande do Sul lidera em cozinhas solidárias no Brasil

Rio Grande do Sul lidera em cozinhas solidárias no Brasil

Cozinha Solidária Marielle Franco Acolhe Comunidade em São Leopoldo

Em São Leopoldo, no bairro Arroio Manteiga, a Cozinha Solidária Marielle Franco tem se tornado um importante local de suporte para muitas famílias. Desde sua inauguração em 2021, o espaço distribui, em média, 270 refeições todas as terças e quintas-feiras. Essa iniciativa é parte de um esforço maior para atender à crescente demanda por alimentação no Rio Grande do Sul, que possui o maior número de “cozinhas solidárias” certificadas pelo Ministério do Desenvolvimento e Assistência Social do país — 202 no total.

Cristina Machado dos Santos, de 45 anos, é uma das cozinheiras que atua na Marielle Franco. Com um histórico que a levou de nunca ter cozinhado para muitas pessoas ao prazer de preparar refeições, Cristina compartilha sua jornada. “Antes de começarmos o almoço, já tem gente na fila. Fiquei nervosa no início, mas vi que é minha vocação e as pessoas gostam do meu tempero”, conta.

Os ingredientes utilizados nas refeições são, em grande parte, produzidos localmente. Por exemplo, os tomates, couves e cebolas vêm de Mathias Sasset, agricultor de Lagoa Vermelha, que entrega os produtos semanalmente. Essa colaboração entre agricultores e cozinhas solidárias garante que as refeições sejam nutritivas e frescas.

Como resultado dessas ações, o Rio Grande do Sul é visto como um exemplo positivo no combate à fome no país. A Organização das Nações Unidas para a Alimentação e a Agricultura (FAO) anunciou esse ano que o Brasil saiu do “mapa da fome”, embora muitos ainda enfrentem insegurança alimentar.

Eliza Christmann Madalena, coordenadora da cozinha, enfatiza a importância desse trabalho. “Cozinhar é um ato de amor, e isso nos mantém. Já passamos por momentos difíceis, improvisando e fazendo com que a comida renda”, diz Eliza, destacando o comprometimento da equipe em fornecer refeições dignas, mesmo frente a desafios.

A Cozinha Solidária Marielle Franco conta com recursos do programa municipal “São Leo Mais Comida no Prato”, além de apoio do governo federal e do Programa de Aquisição de Alimentos (PAA), através da Conab.

O Programa Cozinha Solidária, estabelecido pela Lei 14.628/2023 e regulamentado pelo Decreto 11.937/2024, busca oferecer alimentação gratuita, priorizando pessoas em situação de risco social. Esses espaços têm autonomia na gestão e muitas vezes recebem doações.

Fome e Segurança Alimentar no Sul do Brasil

A Região Sul do Brasil apresenta os melhores indicadores de segurança alimentar, com o Rio Grande do Sul ocupando a segunda posição, atrás de Santa Catarina. Dados da Pnad 2024 indicam que 85,2% dos domicílios no estado estão seguros em termos alimentares.

O pesquisador Juliano de Sá, da UFRGS, observa que, apesar das melhorias, há ainda cerca de 9 milhões de pessoas no país que não têm o que comer. “O Brasil saiu do mapa da fome, mas a fome ainda está presente. Precisamos de esforços contínuos, com investimentos em políticas públicas para erradicar essa situação”, afirma.

Sérgio também sugere que mais programas de voluntariado e a diminuição do desperdício de alimentos são essenciais para essa mudança. Ele acredita que as cozinhas solidárias têm sido uma resposta eficaz para lidar com o problema da insegurança alimentar, especialmente durante a pandemia e crises climáticas.

Impacto das Iniciativas Voluntárias

Outra voluntária exemplar é Leidi Rosa Toniolo, de 69 anos, que atua há quase 30 anos em Canoas. Ela participa de iniciativas sociais que incluem a distribuição de marmitas e trabalhos que geram renda para mulheres em situação vulnerável. “Quando ajudo, recebo muito mais de volta”, reflete Leidi.

Recentemente, o Rio Grande do Sul foi premiado no Prêmio Brasil Sem Fome, em reconhecimento aos avanços na política de segurança alimentar e nutricional. segundo Beto Fantinel, secretário de Desenvolvimento Social, esse reconhecimento é fruto de políticas públicas integradas e colaborativas, que refletem em melhorias reais para as famílias no estado.

Além disso, outros programas, como a devolução de impostos para famílias vulneráveis e ações de segurança alimentar, também estão em andamento para enfrentar a fome de maneira efetiva. Com mais de 1 milhão de famílias beneficiadas até 2025, essas iniciativas demonstram o compromisso em garantir a alimentação adequada para todos.

Sobre o autor: contato@gdsnoticias.com

Equipe que trabalha em conjunto na redação e revisão de conteúdos com atenção à qualidade editorial.

Ver todos os posts →