16/03/2026
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Página de Arquimedes achada por acaso

Uma das três páginas desaparecidas do palimpsesto de Arquimedes foi encontrada em um museu da França. O manuscrito do século X contém cópias dos tratados do cientista grego.

Arquimedes viveu entre 287 e 212 a.C. em Siracusa. Ele era físico, astrônomo, matemático e engenheiro. Seu trabalho chegou até os dias de hoje, incluindo o conhecido princípio de Arquimedes.

Um palimpsesto é um pergaminho reutilizado, onde o texto original foi apagado. Essa prática era comum na época devido ao alto valor do material.

O pesquisador Victor Gysembergh, do Centro Nacional de Pesquisa Científica da França, foi quem fez a descoberta. A página estava no Museu de Belas Artes de Blois, no centro do país.

Os tratados de Arquimedes foram copiados no século X. Posteriormente, entre os séculos XII e XIII, o texto foi apagado. O pergaminho foi reutilizado para se tornar um eucológio, um livro de orações para a liturgia.

O trabalho de Gysembergh foi publicado no dia 6 de março na revista alemã Zeitschrift für Papyrologie und Epigraphik.

A história deste palimpsesto único é incomum. O poeta e historiador dinamarquês Johan Ludvig Heiberg o encontrou no final do século XIX. Em 1906, ele fotografou o documento página por página.

O manuscrito desapareceu durante a Primeira Guerra Mundial. Ele reapareceu em 1996 na França, em uma coleção privada, para um leilão.

Nesse período, três das 177 páginas do palimpsesto sumiram. A página encontrada por Gysembergh é uma delas.

O pesquisador contou que a descoberta ocorreu “um pouco por acaso”. Ele se interessa por palimpsestos como forma de redescobrir textos antigos perdidos.

Em conversa com colegas, ele mencionou que parte da biblioteca dos reis da França foi preservada em Blois. Isso o levou a pensar na possibilidade de haver um palimpsesto ali.

Gysembergh iniciou sua busca pelo catálogo online Arca. Ele se surpreendeu ao encontrar um manuscrito grego, e mais ainda um tratado científico do século X.

Ele comparou a página de Blois com as fotos tiradas em 1906, disponíveis online pela Biblioteca Real da Dinamarca. A escrita e os detalhes eram idênticos.

O estilo da caligrafia era o mesmo, cada letra coincidia. Uma figura geométrica estava exatamente no mesmo lugar. Era o tratado de Arquimedes sobre a esfera e o cilindro.

Um lado da página tem o texto da cópia, ainda bem visível. O outro lado tem um desenho mais recente, provavelmente adicionado no século XX por um proprietário para valorizar o documento.

O pesquisador espera realizar uma análise no próximo ano para decifrar o texto completamente. A descoberta renova a expectativa de encontrar as outras duas páginas que ainda estão perdidas.

Até agora, não havia motivos para acreditar que elas poderiam ser localizadas. A descoberta sugere que instituições ou colecionadores privados podem ter os outros fragmentos sem saber.

O palimpsesto de Arquimedes é considerado uma peça fundamental para o estudo da história da ciência. Sua trajetória, desde a Antiguidade até o reencontro moderno, ilustra a fragilidade e a resiliência do conhecimento.

A prática de criar palimpsestos permitiu a preservação indireta de muitos textos que, de outra forma, teriam sido perdidos para sempre. Técnicas modernas de imagem multiespectral podem revelar textos ocultos sob camadas mais recentes de tinta.

A análise prevista para a página recém-descoberta pode trazer à luz novos detalhes sobre os métodos matemáticos de Arquimedes. Seu trabalho sobre a esfera e o cilindro contém cálculos avançados para a época.

Museus e bibliotecas ao redor do mundo continuam a revisar seus acervos em busca de tesouros ocultos. Descobertas acidentais, como esta, mostram que importantes fragmentos da história podem estar à espera em lugares inesperados.

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