01/05/2026
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Lula confirma Desenrola 2: FGTS e veto a bets por 1 ano

Lula confirma Desenrola 2: FGTS e veto a bets por 1 ano

O presidente Luiz Inácio Lula (PT) confirmou o uso do FGTS para renegociar dívidas, como parte do pacote do governo contra o endividamento da população, o chamado Desenrola 2. Aqueles que aderirem ao programa ficam bloqueados de fazerem apostas em sites esportivos por um ano, como medida de contenção aos gastos com apostas.

“O que não pode é renegociar a dívida e continuar perdendo dinheiro apostando em bet. Por isso, quem aderir ao Novo Desenrola Brasil ficará bloqueado por um ano em todas as plataformas de apostas on-line. Não é justo que as mulheres tenham que trabalhar ainda mais para pagar as dívidas de jogo dos maridos”, disse.

Na fala em rede nacional, Lula citou as diretrizes gerais do programa, que deverá ser detalhado em evento na próxima segunda-feira (4). O endividamento da população é uma das principais preocupações do petista às vésperas de sua campanha à reeleição, conforme já verbalizado por Lula e aliados.

Na declaração, Lula reiterou que brasileiros endividados terão juros de no máximo 1,99%, e descontos de 30% até 90% no valor da dívida, conforme havia sido informado pelo ministro da Fazenda, Dario Durigan, neste mês.

Os trabalhadores que recebem até cinco salários mínimos (R$ 8.105) poderão usar um máximo de 20% do FGTS para reduzir o saldo final da dívida no Desenrola 2.0. Além disso, as instituições financeiras precisarão oferecer um desconto mínimo de 40% para a renegociação da dívida.

O desenho técnico do programa foi fechado na segunda-feira (27) por Durigan em reunião com CEOs de bancos públicos e privados e entidades do setor bancário. O uso do FGTS para a negociação das dívidas deve ter um custo de R$ 4,5 bilhões nos próximos três meses, segundo estimativa do Ministério do Trabalho.

No pronunciamento, o presidente também fez novas falas em defesa da redução da jornada 6×1, uma das principais pautas a serem emplacadas na campanha do presidente nas eleições deste ano, além do uso de um tom “antissistema”, reforçado por Lula neste ano eleitoral.

“Cada vez que damos um passo adiante para melhorar a vida do povo brasileiro, o sistema joga contra. O andar de cima, os bilionários, a elite que só pensa em manter privilégios às custas do povo. Se dependesse do sistema, nem a escravidão teria sido abolida no Brasil”, disse.

“A elite brasileira sempre foi contra melhorias para o trabalhador: o salário mínimo, as férias remuneradas, o 13º salário. A turma do andar de cima disse que cada uma dessas conquistas ia quebrar o Brasil. E o Brasil nunca quebrou por dar direito aos trabalhadores. Sempre ficou mais forte. Porque toda vez que a vida do trabalhador melhora, a roda da economia gira com mais força, e todo mundo acaba ganhando. É isso que vai acontecer com o fim da escala 6×1 no Brasil.”

Assim como em vídeo gravado pelo presidente para o PT, transmitido neste mês, o texto desta quinta relacionou a pauta de redução da jornada com o público feminino, enfatizando sobrecarga das mulheres com trabalho e cuidados com a família. O público é um eleitorado importante para Lula, com quem registrou uma queda na aprovação em pesquisas recentes de popularidade.

No pacote contra o superendividamento, o governo também incluiu medidas contra o mercado de apostas. O governo vem atribuindo parte do problema do endividamento a apostas esportivas. Na semana passada, a Fazenda bloqueou os sites de Kalshi, Polymarket e outras 25 empresas do chamado mercado de previsão, conhecidas por ofertar apostas sobre eleições, jogos, reality shows e celebridades.

O pronunciamento desta quinta marca a tradicional manifestação do presidente em rádio e televisão por ocasião do Dia do Trabalhador, celebrado nesta sexta (1º). Como mostrou a Folha, o petista não deve participar dos atos espalhados pelo país organizados para o feriado.

Nesse momento, Lula busca uma forma de aumentar sua popularidade em ano eleitoral. Ele e seu entorno julgam que apesar de considerarem que o governo fez boas entregas ao longo mandato, a gestão não está conseguindo transformar isso em popularidade.

O pronunciamento, que já estava previsto, ocorre após duas derrotas políticas importantes para seu governo, com a rejeição de Messias pelo Senado na última quarta-feira (29) e a derrubada dos vetos à redução de penas dos condenados pelos ataques de 8 de janeiro nesta quinta.

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