As novelas brasileiras estão passando por mudanças significativas para se adaptar a um público cada vez mais conectado e exigente. Com isso, as narrativas se tornaram mais ágeis, os personagens ganharam complexidade e temas contemporâneos começaram a ser abordados. Essa modernização é necessária para manter a relevância do gênero, mas os elementos tradicionais, como conflitos intensos, emoção e ganchos que capturam a atenção do espectador, continuam essenciais.
Encontrar um equilíbrio entre as novas demandas do público e a essência melodramática das novelas é um grande desafio. As tramas precisam evoluir sem perder o que sempre fez do gênero um pilar da cultura nacional.
Apesar das mudanças, a novela ainda é o formato de entretenimento mais assistido na televisão aberta. Recentemente, o autor Júlio Fischer, que possui vasta experiência na criação de telenovelas, compartilhou suas percepções sobre as transformações no gênero e falou sobre seu mais recente trabalho, coautorado com Duca Rachid e Elísio Lopes Jr.
Fischer revelou que sua paixão pela dramaturgia começou na infância, quando escreveu peças de teatro. Um de seus sucessos, “A Canção de Assis”, é frequentemente encenado em todo o país até hoje. Essa trajetória o levou a fazer uma pós-graduação em História do Teatro na USP, onde se aprofundou no estudo de grandes autores, como Shakespeare e os dramaturgos gregos.
A entrada na televisão ocorreu após sua pós, quando Fischer se inscreveu em uma oficina de roteiristas da TV Globo. Ele passou por um processo de seleção rigoroso, onde um dos desafios foi criar um roteiro baseado em um conto de Machado de Assis. Com a sorte a seu favor, foi escolhido para participar da oficina, que se destacava por formar novos talentos.
Com o passar do tempo, Fischer teve a oportunidade de trabalhar com nomes renomados da dramaturgia, incluindo Walther Negrão, que se tornou uma influência significativa em sua carreira. Fischer destacou a importância das aulas com Negrão, que o ajudaram a moldar sua visão sobre a teledramaturgia e a arte de contar histórias.
Júlio Fischer continuou sua carreira escrevendo para várias novelas de sucesso. Ele coautorizou um dos destaques recentes da faixa das seis, “Amor Perfeito”, antes de se envolver em mais projetos. Ele explicou que as novelas atuais não são como as de antigamente, pois o consumo do público mudou. Agora, as pessoas assistem à TV enquanto usam celulares e redes sociais, o que representa um desafio para os roteiristas que buscam manter a atenção dos espectadores.
Para enfrentar essa nova realidade, a dinâmica das novelas precisa ser ágil, com cenas mais curtas, mas ainda que proporcionem uma narrativa rica e envolvente. Os ganchos no final de cada capítulo são fundamentais para garantir que o público continue sintonizado.
Fischer também comentou sobre as novelas curtas e verticais, que têm ganhado espaço em um cenário de consumo de conteúdo diversificado. Ele ressalta que, embora as novelas longas tenham seu charme e permitam uma “convivência” mais profunda com os personagens, as produções mais curtas atendem a um público que, com a oferta intensa de conteúdo, pode não querer se comprometer com uma trama extensa.
Por fim, Júlio Fischer deu uma prévia de sua próxima novela, “A Nobreza do Amor”, que se passará na década de 1920 e contará a história de uma princesa africana que busca refúgio no nordeste brasileiro após um golpe de Estado em seu reino. A produção está programada para estrear em março e promete envolver o público em uma narrativa de romance e aventura.
Assim, as novelas brasileiras continuam a se reinventar, buscando se conectar com as novas gerações sem abrir mão do que as torna especiais.
