sábado, 10 de janeiro de 2026
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‘Dona de mim’: acertos e erros da novela analisados

EM 10 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 20:13

A novela “Dona de Mim”, exibida pela Globo, chega ao fim nesta sexta-feira, 9 de outubro, depois de quase seis meses no ar, desde o dia 28 de abril. A trama, escrita por Rosane Svartman, conquistou o público com a protagonista Leona, vivida pela atriz Clara Moneke, e a representação da diversidade brasileira. No entanto, a reta final da novela foi marcada por mudanças na programação da emissora, que impactaram o desenrolar da história.

Com 218 episódios, a novela ultrapassou a previsão inicial de 170 capítulos. Essa decisão de estender a trama foi motivada por “razões pragmáticas” apontadas pela autora. A novela se tornou um “tapa-buraco” na grade de programação, especialmente devido a diversos campeonatos esportivos que ocorrem no final do ano, e teve a intenção de preparar o terreno para a nova produção, “Coração Acelerado”, que deve assumir o horário das 19 horas.

Clara Moneke, de 27 anos, fez sua estreia como protagonista após ter se destacado na novela “Vai na Fé”. Sua representação de Leona trouxe à tela um retrato significativo de mulheres negras, que frequentemente não têm seu espaço reconhecido na televisão. A atriz trouxe leveza e profundidade à personagem, sendo bem recebida pela audiência. O elenco, com uma mistura de novatos e veteranos, contribuiu para um contexto diversificado e rico, mostrando uma gama de tipos sociais.

A trama também se destacou pelo enredo romântico, que se afastou do triângulo amoroso tradicional para criar uma rede de relacionamentos mais complexa, com Leona tendo múltiplos interesses amorosos que mantiveram o público intrigado. Essa abordagem inovadora trouxe dinamismo à narrativa.

No entanto, a novela não se esquivou de temas pesados. A morte do pai de Marlon, um dos personagens centrais, e o trágico desfecho de Abel, protagonizado por Tony Ramos, introduziram momentos de tristeza que pesaram na atmosfera da história. Essa mistura de leveza e drama acabou se tornando um desafio na reta final, quando a inclusão de cenas mais pesadas, como o estupro de Kami, também gerou controvérsias.

Apesar dos desafios, a presença de temas sociais relevantes, como a diversidade cultural e as contradições da sociedade brasileira, foi um ponto forte da novela. Os roteiristas conseguiram construir uma narrativa que abrange diversas identidades e classes sociais, mostrando como essas realidades se encontram e se entrelaçam.

Embora a novela tenha acumulado bons índices de audiência, as mudanças de última hora prejudicaram o ritmo da narrativa. As reviravoltas forçadas, como o retorno inesperado de um personagem considerado morto, foram vistas como tentativas de manter o interesse do público frente à necessidade de prolongar a história.

Com o fim de “Dona de Mim”, o público refletirá sobre os momentos altos e baixos da trama, numa jornada que conseguiu capturar a pluralidade e os desafios do cotidiano brasileiro. A novela deixa uma marca importante, representando tanto os triunfos quanto as dificuldades enfrentadas na construção de uma narrativa contemporânea.

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