quinta-feira, 08 de janeiro de 2026
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Brasil inaugura laboratório de reprodução equina no Rio Grande do Sul

EM 7 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 18:13

O estado do Rio Grande do Sul acaba de inaugurar um novo laboratório de reprodução de cavalos, marcando um passo significativo para o setor que movimenta bilhões de reais anualmente e é responsável pela genética e saúde de um dos maiores rebanhos do mundo.

O novo laboratório e suas inovações

Inaugurado em outubro, o laboratório de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozóide (ICSI) é o primeiro do tipo na região Sul do país. Ele é fruto da colaboração entre o médico veterinário Felipe Hartwig e a InVitro Equinos Sul, a maior rede de embriões in vitro do mundo. Esse laboratório se dedica à reprodução assistida de equinos e permite o uso de material genético escasso, incluindo amostras de animais que já faleceram.

Hartwig, que tem mais de 15 anos de experiência em fertilidade equina, afirma que o laboratório já conseguiu produzir embriões que estão prontos para serem transferidos. No ano passado, mais de dois mil embriões foram produzidos por meio da ICSI para criadores do estado, que antes precisavam enviar os óvulos para São Paulo para esse processo.

Benefícios da biotecnologia na reprodução equina

O uso de biotecnologia no novo laboratório traz melhorias diretas para a equideocultura no país. As técnicas utilizadas aumentam a eficiência reprodutiva, melhorando as taxas de sucesso na produção de embriões e permitindo um aproveitamento mais eficaz da genética dos animais. Isso também ajuda na preservação de linhagens valiosas, podendo utilizar material genético de cavalos de grande valor zootécnico, incluindo reprodutores que já morreram. Com essa tecnologia, o setor se torna mais competitivo, valoriza os potros e potencializa a exportação, atraindo investimentos internacionais. Além disso, os métodos modernos garantem mais segurança nos procedimentos, promovendo o bem-estar dos equinos.

Impacto e relevância econômica

O laboratório não se limita a atender apenas criadores do Rio Grande do Sul, mas também pode se tornar um centro atrativo para proprietários de outras partes do país. Isso poderá beneficiar economicamente a cadeia produtiva relacionada, que inclui veterinários, fornecedores de genética, transporte e hospedagem.

Embora o impacto econômico desse setor seja menor do que o da pecuária de corte ou de leite, ele representa cerca de 1,1% do PIB do agronegócio brasileiro. Em 2024, o agronegócio no país é estimado em R$ 2,72 trilhões. Esse nicho está em crescimento, com um aumento na oferta de serviços veterinários, leilões, esportes e turismo rural relacionados aos equinos.

O Brasil também abriu as portas para a exportação de cavalos vivos para a União Europeia, um mercado conhecido por suas rigorosas exigências sanitárias. Isso pode aumentar ainda mais o potencial de exportação e atrair investimentos para a cadeia produtiva.

Apoio à reprodução assistida

Segundo Luiz Eduardo Kneese, coordenador técnico da IMV do Brasil, a reprodução assistida por meio da ICSI supera limitações da fisiologia reprodutiva dos equinos e amplia o aproveitamento genético de animais de alto valor. Em éguas atletas, essa técnica permite a produção de embriões sem comprometer o desempenho esportivo, enquanto em fêmeas mais velhas ou com problemas reprodutivos, viabiliza o uso de genética que, supondo métodos convencionais, seria descartada. Para os garanhões, a ICSI facilita o uso de sêmen de qualidade inferior ou até de amostras congeladas antigas.

O laboratório também irá utilizar ferramentas como biópsia embrionária e testes genéticos, o que trará uma camada extra de controle e previsibilidade aos processos reprodutivos.

O panorama do setor equino

O mercado de equinos no país é um dos mais expressivos do mundo, figurando como o quarto maior rebanho global, com aproximadamente 5,8 milhões de equinos. O setor movimenta cerca de R$ 30 bilhões por ano e gera emprego para mais de 3 milhões de pessoas em atividades relacionadas, como criação, competições, lazer e serviços veterinários. No Rio Grande do Sul, a equideocultura é um elemento importante para a economia regional, com muitas fazendas e centros de treinamento dedicados a essa atividade.

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