Lixo se Transforma em Fonte de Energia no Rio Grande do Sul
O lixo, durante muito tempo considerado um problema ambiental, vem se tornando uma alternativa promissora de energia no Rio Grande do Sul. Pesquisas e investimentos estão em andamento para converter resíduos sólidos coletados em municípios do estado em gás e outros recursos valiosos.
Empresas que atuam na gestão de aterros sanitários estão investindo na transformação de resíduos em biogás e biometano. Estão surgindo também parcerias entre prefeituras, universidades e empresas privadas para produzir gás, carvão vegetal, óleo e hidrogênio de baixo carbono a partir do lixo.
As duas empresas principais que operam aterros sanitários no estado — CRVR e Meioeste — planejam construir seis plantas para produção de biometano nos próximos anos. Juntas, elas atendem a 360 municípios gaúchos, equivalendo a mais de 70% do estado. A CRVR, maior entre elas, inaugurou recentemente um complexo em Minas do Leão, após um investimento de R$ 150 milhões. Essa unidade já produz 45 mil metros cúbicos de biometano por dia, com previsão de aumentar para 66 mil até julho do próximo ano, o que equivale a 12.500 botijões.
Além disso, a CRVR planeja iniciar projetos semelhantes em São Leopoldo, Giruá, Santa Maria e Victor Graeff. Em São Leopoldo, as instalações estão prontas e a operação deve começar entre março e abril, segundo Rafael Salamoni, diretor da Biometano Sul.
No aterro da Meioeste, localizado em Candiota, a empresa atualmente produz apenas biogás, mas está desenvolvendo um projeto para transformar esse biogás em biometano até 2027, atendendo a 42 municípios da Metade Sul.
Parceria com Universidades
Na Serra Gaúcha, uma parceria entre a Universidade de Caxias do Sul (UCS) e cinco prefeituras — Caxias do Sul, São Marcos, Flores da Cunha, Bom Jesus e Serafina Corrêa — busca destinar adequadamente os resíduos. A licença ambiental para a instalação de uma unidade de testes no aterro de Caxias está sendo aguardada.
Marcelo Godinho, do projeto Resíduos Serra – RS UP, explica que a unidade terá capacidade para receber cinco toneladas de resíduos por dia. O processo empregado será a pirólise, que aquece o material na ausência de oxigênio, permitindo sua decomposição sem queima, gerando carvão, óleo e gás.
Ainda estão em estudo as aplicações do carvão, que poderá ser utilizado na composição do cimento e em cultivos não alimentares, como florestas plantadas. Questões de custo e financiamento ainda estão sendo discutidas entre os parceiros do projeto.
Investimentos em Novas Soluções
Além das empresas de gestão de resíduos, a Rodoplast, fabricante de componentes plásticos automotivos, também está se mobilizando. Criou a Ambientalplast, com um programa para reciclar plásticos que não podem ser reaproveitados. A partir de 2026, a intenção é processar os resíduos urbanos de Vacaria para produzir biomassa e, a partir dela, hidrogênio de baixo carbono.
Com um investimento de R$ 45,3 milhões, a Ambientalplast pretende transformar resíduos urbanos em gás, carvão e óleo, além de obter “hidrogênio turquesa” através da pirólise. Esse valor se soma aos R$ 20 milhões já gastos para a destinação correta das sobras da Rodoplast, visando processar entre 30 e 35 toneladas diárias de resíduos.
Essas iniciativas buscam não apenas reduzir os custos com a gestão do lixo, mas também converter resíduos em uma fonte de valor, contribuindo para a sustentabilidade no estado.