quinta-feira, 08 de janeiro de 2026
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Agro gaúcho analisa impactos na Venezuela

EM 7 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 05:48

O recente ataque do governo dos Estados Unidos à Venezuela gerou preocupação entre os produtores de arroz do Rio Grande do Sul. A Federação dos Arrozeiros do Estado, conhecida como Federarroz, destacou que a Venezuela foi o segundo maior importador de arroz brasileiro em 2025, adquirindo aproximadamente 165 mil toneladas do cereal, ficando atrás apenas do Senegal. O presidente da Federarroz, Denis Dias Nunes, alertou para os riscos trazidos por instabilidades políticas, afirmando que os danos são incertos e merecem atenção.

O Rio Grande do Sul, responsável por 70% da produção de arroz no país, acompanha com cautela os desdobramentos após o ataque. Nunes ressaltou a importância de observar os eventos futuros para entender quais medidas podem ser adotadas para proteger os produtores locais. Ele mencionou que a negociação do comércio é feita em grande parte por intermediários, principalmente empresas americanas, que devem ter flexibilidade para lidar com as circunstâncias.

Em 2025, as exportações do agronegócio gaúcho para a Venezuela somaram 85,5 milhões de dólares, o que representa mais de 186 mil toneladas de produtos. Segundo o economista-chefe da Federação da Agricultura do Rio Grande do Sul, Antônio da Luz, não se esperam impactos imediatos para o setor. Ele acredita que, a longo prazo, a Venezuela pode aumentar suas compras do mercado brasileiro e do estado.

O economista observou que o país vive uma situação de empobrecimento extremo. Embora não sejam previstas vantagens a curto prazo, ele sugeriu que, com uma futura reorganização econômica, as exportações de alimentos poderão ser retomadas. A Venezuela já foi um grande mercado consumidor de arroz, e com seus ricos recursos naturais, pode se desenvolver e se tornar um parceiro comercial significativo para o estado.

Entre os itens com maior potencial de crescimento nas exportações futuras para a Venezuela, o arroz se destaca, de acordo com as projeções do economista. Embora ainda seja difícil prever a situação exata, ele acredita que, após uma possível reorganização política e econômica no país, o arroz poderia novamente ter um papel importante nas transações comerciais.

Os dados de exportação do arroz para a Venezuela nos últimos anos mostram um crescimento significativo, embora a quantia tenha flutuado. Em 2021, o Brasil exportou 98,9 mil toneladas; em 2022, este número subiu para 190,97 mil toneladas; e em 2023, alcançou 208,74 mil toneladas. No ano de 2024, houve uma queda para 106,19 mil toneladas, enquanto em 2025 as exportações se estabilizaram em 165,72 mil toneladas.

Os próximos meses serão cruciais para entender como as relações comerciais entre os dois países se desenvolverão, especialmente em um cenário de incertezas políticas e econômicas.

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