01/02/2026
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MP e MPT se confrontam sobre fundo de doações da enchente no RS

Um projeto de lei que foi aprovado recentemente pela Assembleia Legislativa do Rio Grande do Sul está gerando polêmica entre o Ministério Público (MP) e o Ministério Público do Trabalho (MPT). A proposta, que visa a realocação de verbas entre dois fundos, tem como foco a destinação de recursos doados para a recuperação das vítimas de uma enchente que ocorreu no ano passado.

O projeto prevê que 20% dos recursos do Fundo de Reconstituição dos Bens Lesados (FRBL) sejam transferidos para o Fundo de Reaparelhamento do Ministério Público (FRMP). O FRBL é utilizado para financiar projetos sociais, aquisição de equipamentos para órgãos públicos e outras iniciativas de interesse comunitário. Por outro lado, o FRMP é voltado para custear as despesas operacionais do próprio Ministério Público, incluindo reformas de prédios e investimentos em tecnologias.

Um dos principais pontos de discórdia é uma emenda apresentada pelo líder do governo, Frederico Antunes (PP), que estabelece que a transferência dos valores será retroativa a 2024, ano em que o FRBL recebeu doações significativas para a recuperação das áreas afetadas pelas enchentes. O MPT informou que, até o momento, destinaram R$ 80 milhões coletados de unidades em todo o país, além de uma arrecadação total de R$ 122 milhões em 2024, valor bem maior do que os R$ 10 milhões a R$ 15 milhões que foram arrecadados em anos anteriores. Esse montante inclui doações de pessoas físicas via Pix.

Diante da situação, o procurador-chefe do MPT-RS, Antônio Santos Pereira, e seu vice, Anderson Reichow, estão buscando articular a retirada da emenda retroativa em reuniões com membros do governo e da Assembleia Legislativa. O chefe do MPT nacional, Gláucio Oliveira, também enviou uma solicitação ao governador Eduardo Leite para uma reunião urgente sobre a questão.

Pereira alertou que, caso o projeto seja sancionado, a instituição pode recorrer à Justiça para contestar a medida. O receio é que os recursos que ainda não tenham sido aplicados acabem sendo transferidos para um fundo federal, o que contraria o objetivo para o qual foram doados. O procurador acredita que utilizar os recursos para outras finalidades fere a segurança jurídica, destacando que qualquer mudança nas regras deve ser aplicada apenas para o futuro.

O Ministério Público estadual, por sua vez, publicou uma nota afirmando que a nova legislação não altera os sistemas de aplicação de verbas do FRBL, que continuam sujeitos a fiscalização dos órgãos de controle externo. Mais ainda, a nota enfatiza que a aprovação da lei não resulta em compromissos imediatos de valores do fundo, mas ressalta a sua importância como um instrumento de colaboração na reconstrução do estado.

A decisão do governador sobre sancionar ou vetar o projeto está pendente. O Secretário da Casa Civil, Artur Lemos, comentou que o governo está em diálogo com o MP e o MPT para tentar resolver o conflito em busca de um entendimento mútuo. Ele expressou seu desejo de ver uma solução que evite a disputa entre os dois ministérios públicos, reconhecendo que isso não leva a um bom resultado.

Se Leite não se pronunciar a respeito, o projeto retornará à Assembleia Legislativa para ser promulgado.

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