16/01/2026
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Ovelhas e maria-mole: técnica natural protege rebanho

Intoxicação por Maria-Mole: Um Perigo Para o Gado no Sul do País

A planta conhecida como maria-mole está causando sérios problemas na pecuária, especialmente no Rio Grande do Sul. Estima-se que a intoxicação por esta planta leve à morte de até 42 mil animais, principalmente bovinos, anualmente.

Um estudo recente realizado por Fernando Karam, do Instituto de Pesquisas Veterinárias Desidério Finamor, em parceria com a Emater/RS-Ascar, analisou várias cidades, incluindo Guaíba e Viamão, e os resultados foram alarmantes. A maioria das áreas pesquisadas apresentou alta infestação de maria-mole, que causa uma doença hepatológica conhecida como seneciose. Essa enfermidade pode levar quase 100% dos bovinos afetados à morte.

Dados da Secretaria da Agricultura do Rio Grande do Sul revelam que entre 2018, de 7% a 14% das mortes de bovinos no estado são atribuídas à intoxicação por plantas, sendo que em ovinos o índice é de 7%. Mais da metade das mortes de bovinos relacionadas à intoxicação se deve à ingestão de maria-mole.

O Que É a Maria-Mole e Seus Riscos

A maria-mole contém alcaloides pirrolizidínicos, substâncias tóxicas que afetam o fígado dos animais. No Rio Grande do Sul, são identificados 25 tipos dessa planta, com destaque para as espécies Senecio brasiliensis, S. selloi, S. oxyphyllus e S. heterotrichius.

Os bovinos consomem essa planta, especialmente durante o outono e inverno, quando a escassez de pastagem os leva a buscar alimentos menos saudáveis. A maior ameaça é que o veneno se acumula no organismo, provocando danos progressivos e irreversíveis ao fígado, até que o órgão não consiga mais funcionar.

Sintomas da Intoxicação

A seneciose é uma doença que, em sua fase inicial, não apresenta sintomas claros. O primeiro sinal geralmente é a perda de peso sem explicação. Com o avanço da intoxicação, outros sintomas incluem barriga inchada devido ao acúmulo de líquidos, diarreia, e dificuldade para defecar. Em estágios mais graves, os animais podem apresentar problemas neurológicos, tais como agressividade, desorientação e icterícia.

O diagnóstico envolve a observação da presença da maria-mole na propriedade, análise dos sintomas e exames de sangue que indicam a saúde do fígado.

Impactos Econômicos da Intoxicação

A intoxicação por maria-mole gera significativas perdas econômicas para os produtores. Como não há tratamento disponível, a morte de um bovino afetado representa uma perda total do investimento. Além disso, a presença da planta prejudica o valor das pastagens, que precisam ser recuperadas, gerando ainda mais gastos.

Por conta disso, a prevenção é a única estratégia viável para minimizar os prejuízos associados à intoxicação.

Estratégias de Controle

Para controlar a infestação de maria-mole, é necessário um manejo integrado que combine diferentes técnicas. Simplesmente usar herbicidas não é suficiente, pois pode agravar o problema. Um manejo adequado inclui cuidar da pastagem, implementar controle natural e manter a cobertura do solo.

De acordo com especialistas, o pastoreio de ovelhas tem se mostrado uma estratégia eficaz, uma vez que elas consomem a planta enquanto ainda está em crescimento, evitando que ela produza novas sementes. Além disso, o manejo adequado do pasto, com bom cuidado do solo e uma plantação densa de grama, dificulta o crescimento da maria-mole.

Conclusão

A infestação de maria-mole é um problema significativo para a pecuária, especialmente em áreas do Rio Grande do Sul. As pesquisas destacam a gravidade da situação e sugerem soluções efetivas. O foco deve ser na prevenção e no manejo adequado das pastagens para proteger os rebanhos e minimizar as perdas econômicas.

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