domingo, 11 de janeiro de 2026
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Três leis inspiradas em novela de Manoel Carlos

EM 11 DE JANEIRO DE 2026, ÀS 20:43

As histórias da novela “Mulheres Apaixonadas”, exibida nos anos 2000, ajudaram a trazer temas importantes para o debate público no Brasil, impulsionando discussões que antes ocorriam apenas no Congresso Nacional.

### Estatuto do Idoso

Um dos principais temas abordados na trama foi o Estatuto da Pessoa Idosa. A novela sensibilizou o público sobre as agressões e abusos que muitos idosos enfrentam, como foi o caso da personagem Dóris, interpretada pela atriz Regiane Alves. Dóris constantemente humilhava seus avós, Leopoldo (Oswaldo Lozada) e Flora (Carmem Silva), mesmo recebendo carinho e apoio deles. A situação dela só muda no final, quando, após várias desgraças, Dóris se vê obrigada a voltar para casa e acaba ajudando um casal de idosos na praia, simbolizando uma transformação em sua visão sobre eles.

Esse enredo gerou indignação entre os espectadores e contribuiu para a aprovação do Estatuto do Idoso, que foi sancionado pelo presidente Luís Inácio Lula da Silva em 1° de outubro de 2003.

### Lei Maria da Penha

Outro tema relevante foi a violência contra a mulher, representada através da personagem Raquel, vivida por Helena Ranaldi. Raquel foi perseguida e agredida pelo marido, Marcos (Dan Stubach), e chegou a mudar de cidade para escapar das violências. Essa narrativa teve um impacto significativo: após uma cena em que Raquel denuncia Marcos à polícia, o número de queixas de violência contra a mulher aumentou em 40% na Delegacia Especial de Atendimento à Mulher no Rio de Janeiro.

A indignação gerada pela história contribuiu para a aprovação da Lei Maria da Penha, sancionada em agosto de 2006, que visa combater a violência doméstica e proteger as mulheres.

### Estatuto do Desarmamento

A novela também ajudou a discutir o Estatuto do Desarmamento. Um momento impactante foi quando a personagem Fernanda, interpretada por Vanessa Gerbelli, foi baleada durante um tiroteio entre policiais e bandidos no Leblon. Sua morte deixou sua filha Salete (Bruna Marquezine) órfã, enquanto Téo (Tony Ramos), que a acompanhava, ficou em coma.

Essa narrativa refletiu a realidade de muitos brasileiros e ajudou a sensibilizar os parlamentares sobre a posse de armas. O Estatuto do Desarmamento foi aprovado em dezembro de 2003, dois meses após o término da novela.

Um estudo do Instituto Fogo Cruzado revelou que, apenas em 2025, 41 pessoas foram vítimas de balas perdidas no Rio de Janeiro. Recentemente, em Fortaleza, duas crianças, de 5 e 2 anos, foram baleadas durante uma tentativa de assassinato a um adulto, mas felizmente não correm risco de vida.

Essas narrativas em “Mulheres Apaixonadas” não apenas entreteram, mas também contribuiram para importantes mudanças sociais e legislações no país, trazendo à tona questões que afetam a vida de muitos brasileiros.

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